Publicado por: mvmportugues | março 23, 2017

O TRIGO E O JOIO – Mateus 13: 24-30

O reino do céu é como um homem que semeou boa semente na sua terra. 25 Mas naquela noite, enquanto todos estavam dormindo, o seu inimigo veio, semeou joio  no meio do trigo e foi-se embora. 26 Mais tarde, quando as plantas cresceram e se formaram as espigas, o joio também apareceu. 27 Então, os servos do homem aproximaram-se dele e perguntaram-lhe: “O senhor semeou boa semente em sua terra, não é verdade? Então de onde veio este joio?” 28 E o homem lhes respondeu: “Foi algum inimigo que fez isto”. Os servos, então, perguntaram: “O senhor quer que arranquemos o joio?” 29 E o homem respondeu: “Não, pois quando vocês forem arrancar o joio poderão arrancar também o trigo. 30 Deixem que ambos cresçam juntos. Quando chegar a época da colheita eu direi aos ceifeiros: ‘Apanhem primeiro o joio, amarrem-no em feixes e atirem-no ao fogo. Depois, arranquem o trigo e o levem para o celeiro’”. (Mateus 13:24-30)

Aqui Jesus está falando sobre um assunto familiar para Sua audiência. Na sociedade agrícola do tempo de Cristo, muitos agricultores dependiam da qualidade de suas colheitas. Depois de descobrir que seu campo tinha sido sabotado o proprietário nesta parábola sabiamente esperou até a colheita. Depois de colher todo o campo, o joio seria separado e queimado, enquanto que o trigo seria recolhido e salvo no celeiro.

Seus discípulos não puderam entender o significado da parábola, então eles perguntaram a Jesus e Ele lhes disse: Aquele que planta boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são as pessoas que pertencem ao reino e o joio são as pessoas que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeia o joio é o próprio Diabo. A colheita é o fim dos tempos e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim como o joio é arrancado e jogado ao fogo, assim também será no fim dos tempos. (Mateus 13:37-40)

A similaridade na aparência entre estas duas plantas é tão grande que em algumas regiões, o joio é referido como “trigo falso”. É uma relva, relacionada ao centeio, com sementes que produzem um veneno narcótico. 

O alto valor e as propriedades saudáveis do trigo são opostos às propriedades prejudiciais do joio, contudo na parábola de Cristo o proprietário do campo permite que ambos cresçam junto. Uma razão é porque o trigo e o joio são exatos em suas aparências durante o crescimento. Ambas as plantas são exuberantes e podem ser distinguidas apenas quando maduram e produzem frutos.

As bagas de trigo são grandes e douradas, enquanto as bagas de joio são pequenas e cinzentas. Assim, se o fazendeiro tentasse arrancar o joio antes da maturidade, faria dano ao trigo. 

O trigo espiritual e o joio crescem da mesma maneira dentro da igreja de Deus, idênticos na aparência, e tentar arrancar o joio também resultaria em arrancar parte do trigo. Assim como a diferença qualitativa entre o fruto maduro do trigo e joio é diferente, somente pelo fruto pode o verdadeiro crente ser conhecido (Mateus 7:15-20). Mesmo depois da maturidade, somente Deus, e ninguém mais, terá o joio removido e os destruirá no fogo (Mateus 13:30). 

A parábola de Cristo contém pelo menos duas advertências que são importantes para a forma como lidamos com o possível joio dentro da igreja de Deus. Primeiro, precisamos estar cientes de que o joio é um falso “cristão”. E em segundo lugar que eles são uma realidade. Os crentes falsos existem e estão em ação dentro da igreja de Deus; o próprio Cristo diz isso. O fato de que eles estão presentes exige que estejamos vigilantes, apegados à verdade da Palavra de Deus, para que não sejamos enganados. 

Além de falsos “crentes”, o joio, em muitos casos, são também falsos ministros e falsos líderes da igreja, ensinando falsas doutrinas de demônios. O joio na igreja espalha atitudes e idéias destrutivas que podem influenciar crentes verdadeiros mais fracos para a negatividade, a suspeita, o cinismo, o sarcasmo, e a dúvida. Cristo nos adverte de tal decepção em Mateus 24:24, “Porque falsos cristos e falsos profetas se levantarão e mostrarão grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, até os eleitos”.

A parábola de Cristo nos adverte não apenas para ter grande cuidado em evitar a falsa instrução e atitudes do joio, mas também para sermos conscientes de como tratamos o “trigo” jovem e imaturo que podemos confundir com o joio. Devemos ser lentos para julgar, lembrando que os membros da igreja estão em diferentes estágios de sua caminhada com Cristo. Embora possam ser puros de coração, até o trigo pode as vezes não agir corretamente. Da mesma forma, alguns dos citados “crentes” podem agir corretamente, podem parecer sempre estar fazendo as coisas certas, mas seus corações permanecem inconversos e corruptos, mas Deus sabe quem pertence a Ele e quem não (2 Timóteo 2:19), e Ele permite que ambos cresçam juntos.  

Além de fornecer a instrução em Sua parábola, Jesus Cristo fornece o exemplo perfeito de como tratar e interagir com um joio. Ele teve que lidar com um joio perto Dele durante todo o Seu ministério. João escreve: “Jesus respondeu: ‘Eu não escolhi vocês, os doze, e um de vocês é um demônio?’ Ele falou de Judas Iscariotes,  filho de Simão, porque era ele quem o trairia, sendo um dos doze. (João 6:70-71) 

Como Cristo lidou com Judas dá o exemplo de como devemos lidar com o joio reconhecido; devemos orar para que eles vejam a luz e tenham uma mudança de coração. Jesus conhecia Judas; Ele conhecia seu caráter e seu coração. No entanto, Judas foi dado deveres como foi dado para os outros discípulos. Judas aparentou ser tão religioso quanto os outros onze, mas Judas era apenas como eles em aparência, não em caráter. 

Jesus nunca revelou aos outros discípulos que Judas era um joio. Mesmo em João 6:70-71, especificamente identificando quem Ele quis expor, Cristo menciona apenas a presença de um joio, forçando os discípulos a olhar para dentro e avaliar seus próprios corações. É claro que os discípulos não estavam conscientes do caráter corrupto de Judas, mesmo depois de passar mais de três anos com ele. Na Páscoa final, os discípulos não tinham idéia de quem trairia o Mestre. Cada um deles começou a dizer a Cristo: “Senhor, sou eu?” (Mateus 26:22). Se Ele tivesse revelado a natureza de Judas para eles, ou os discípulos tivessem sido sábios suficiente para adivinhar, eles não teriam necessidade de fazer esta pergunta. 

Em vez de distinguir Judas e tratá-lo mal, Jesus mostrou-lhe amor e bondade, Seu próprio discípulo, que o trairia. Cristo mostrou ao inimigo cortesia, respeito e humildade e, até em posição de servidão, lavou os pés de Judas. Ele nunca revelou o joio entre eles, mas permitiu Judas expor seu próprio caráter através de suas ações finais.  

Apesar de que devemos por à prova e confrontar e expor os falsos mestres (1 João 1:4; 2 Coríntios 11:12-15), Deus, em Sua sabedoria infinitamente maior que a nossa, será O que separará o trigo do joio; pois somente o Segador pode fazer a colheita – Apocalipse 14:14-19. 

Como trigo, nossa responsabilidade é crescer em conhecimento bíblico, bondade, paciência e amor divino, produzindo frutos saudáveis e bons. Estudando as Escrituras e compartilhando Sua Palavra. Isso requer uma atitude de serviço meigo, humilde e piedoso. Mais importante ainda, temos a responsabilidade de tornarmos a imagem perfeita de nosso Salvador, Jesus Cristo, lembrando-nos de buscar a paz com todas as pessoas e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor. (Hebreus 12:14)

 

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